Viajar de graça e ainda ganhar pra isso….pode???


Há alguns anos quando me peguntavam sobre qual profissão eu iria seguir sempre me vinha em mente uma lista de lugares e um sonho que transbordava o coração e chegava a transparecer no brilho dos meus olhos ao ver as fotos e imagens das revistas de turismo. O tempo passou e depois de me tornar uma profissional em turismo, ou melhor dizendo: turismóloga, cheguei a conclusão que muitas vezes não é preciso ter muito dinheiro em mãos para poder aproveitar o que o mundo tem de melhor, mas sim muita coragem e perseverança.

Foi assim que começou a minha história a bordo dos navios de cruzeiros. Cansada de trabalhar de sol a sol em um escritório e não aproveitar o que a vida tinha de melhor, resolvi tentar a vida em uma companhia de cruzeiros. Para minha surpresa e, principalmente graças ao meu conhecimento do idioma italiano, lá estava eu embarcando pela primeira vez em um transatlântico curtindo a primeira travessia rumo ao velho mundo.

Para muitos esta seria uma aventura, mas para mim era um sonho de verão, uma história para contar para as futuras gerações e muito mais que isso, a oportunidade de conhecer pessoas, aromas, comidas, paisagens, cheiros e culturas que até então eu só tinha visto nos livros.

A bordo minha função era a de Relações Públicas, ou seja, eu tinha que estar em contato com os passageiros, acompanhá-los durante as excursões, preparar reuniões e palestras informativas, resolver problemas e programar atividades culturais durante a viagem: algo super divertido e que me rendeu muitas amizades.

E assim começou a minha primeira viagem a bordo de um transatlântico….


Já no embarque os passageiros eufóricos com suas máquinas fotográficas não deixavam de clicar nenhum momento e eu na porta do navio a espera de que todos embarcassem logo para partir e deixar a terra tupiniquim rumo aos novos horizontes.

Naqueles primeiros dias não hesitei em olhar o mar e imaginar como meus antepassados chegaram ao Brasil depois de longos dias de navegação desde a Itália e, mais do que isso, agora eu estava fazendo a viagem inversa, só que desta vez com a sensação de que todo o esforço deles valeu a pena.

Lembranças e pensamentos a parte, vamos logo ao que interessa: o roteiro da viagem. Depois de partir do Rio de Janeiro tínhamos pela frente 18 dias até chegar em Gênova, passando por Recife, Mindelo, Casablanca, Arrecife, Malaga e Marselha.

Então vamos viajar nessa aventura começando por Recife….


Recife tem uma beleza singular, um povo hospitaleiro, muitas praias, muita energia e um artesanato belíssimo que enche os olhos dos mais aficionados por compras, no entanto a infraestrutura do porto ainda está muito aquém do esperado pelos passageiros que viajam de navio, além do que, vender uma excursão de barco pelos Rios Capibaribe e Beberibe e chamar aquilo de Veneza brasileira, sinceramente, pode causar um certo desgosto. Tirando isso, a cidade nos acolheu muito bem, com direito a dançarinos de Frevo, muita água de coco e um sabor delicioso do tradicional bolo de rolo (uma espécie de rocambole recheado com goiabada de dar água na boca).

Depois de 3 dias de navegação em pleno Oceano Atlântico chegamos em Mindelo a segunda maior cidade da Ilha de Cabo Verde. Ao chegar na ilha ainda estávamos em terras de língua portuguesa e muita coisa parecia familiar. O clima e a paisagem da cidade são bastante áridos, não há muitos atrativos por ali, porém o simples fato de poder descer em terra firme depois de 3 dias inteiros de navegação já compensaram a parada. Antes de encarar um passeio de caminhoneta (isso mesmo, ali paga-se o passeio e senta-se em bancos improvisados de madeira em cima de uma 4×4) experimentei um prato de Búzios (ostras) em um restaurante próximo do porto e logo em seguida me aventurei por entre ruas e vielas até chegar a Baia de Gatas, um balneário muito frequentado onde pude ouvir a música local e apreciar uma pequena apresentação de, pasmem, SAMBA, com direito a mulata e mestre sala. Mas também pudera, se em Recife temos a Veneza brasileira porque não ter mulatas e samba em Cabo Verde? Brincadeiras a parte, o que mais me impressionou em Mindelo foi a montanha em forma de cabeça que domina a paisagem e as grandes instalações da Shell, garantindo que o petróleo jamais falte por aquelas bandas.

Mais três dias de viagem e já estavamos em terras marroquinas, mais precisamente na capital econômica e maior porto do país: Casablanca. A cidade, que por muitos anos esteve sob o protetorado francês, possui até mesmo um Boulevard com arquitetura característica francesa, além da grande Mesquita Hassan II, construída entre 1986 e 1993 e célebre pelo grande minarete de 200 metros que, depois das mesquitas de Meca e de Medina, é considerada a terceira maior do mundo.

Depois de visitar a mesquita, esta aventureira que vos escreve não podia deixar de embrenhar-se pelas vielas  e sentir de perto como vivem os marroquinos em suas casas simples e aconchegantes, pintadas em tons de azul claro e que naquele dia para mim exalavam o perfume de sonhos embrulhados em nuvens do céu.

Por mais que a vontade de explorar a cidade fosse grande, o navio partiu as 22:00hs e só nos restou equilibrar-se pelos corredores enquanto o navio se afastava do porto e as ondas insistiam em nos lançar mar adentro com toda sua força e audácia. Depois tivemos mais um dia de navegação até chegar em Arrecife, a capital das Ilhas Canárias na Espanha.

Uma ilha vulcânica que sobrevive principalmente da pesca e do turismo e que, além do mar de águas quentes na maior parte do ano e da hospitalidade de seu povo, oferece uma iguaria muito apreciada pelos visitantes que por ali passam: uma bebida afrodisíaca feita de cactus, planta esta utilizada para a fabricação de muitas outras iguarias como geléias e pratos culinários da região.

Como o intuito da viagem era descobrir novos sabores, acabei experimentando a tal bebida de cactus e digamos que seu efeito foi no mínimo intrigante, se é que vocês me entendem.

A viagem seguia com muitas atrações a bordo: teatro, concursos de dança, miss, mister e toda a expectativa da chegada no próximo porto. E eis que no finalzinho da tarde o navio atracou em Malaga na Espanha onde passamos a noite e o dia seguinte descubrindo novas paisagens e sabores.

Depois de uma breve caminhada pelos arredores do porto, eis que a fome apertou e não tive como resistir a famosa Paella e juntamente com meus colegas tivemos o árduo trabalho de devorá-la acompanhada de uma Sangria, a bebida típica espanhola preparada com vinho e maçãs picadas…con mucho gusto, vale!!!

Continuando a viagem, no dia seguinte estávamos em Marselha, a segunda maior cidade da França, onde pude pela primeira vez sentir os ares provençais e os aromas da lavanda que perfumam e embelezam as paisagens da região. Em um dia de rara beleza de inverno, o sol emprestou todo o seu brilho para que a visita ao porto velho fosse inesquecível. Neste dia, ao som da inconfundível música francesa e com a vista da Catedral de Notre Dame de la Garde no alto da cidade, provei um crepe de chocolate e morangos e agradeci a Deus pela oportunidade de estar ali completando a travessia do oceano, realizando sonhos, aprendendo e ainda ganhando pra isso.

Bem, digamos que nem só de comida, bebida e diversão vive o homem, ou neste caso, a mulher, óbvio que durante esta viagem tínhamos nossa rotina de trabalho que durava cerca de 8hs por dia e no nosso momento de lazer aproveitávamos para conhecer e desfrutar as novas descobertas que os destinos estavam nos brindando na porta de nossa casa, que neste caso entende-se por navio.

A vida a bordo de um navio de cruzeiros é bem diferente daquilo que estamos acostumados a viver no dia a dia, pois ali existem regras, horários, pessoas de diferentes partes do mundo e são raros os momentos em que podemos ficar completamente sozinhos ou ter privacidade. Por outro lado é uma vida que nos ensina um caminho rápido para a perseverança, a tolerância, o respeito e a valorização do tempo e das pessoas que realmente fazem a diferença em nossas vidas.

E foi nesta experiência que eu descobri que a vida nos proporciona vários caminhos e cada escolha implica em abrir mão de algo que gostamos; por trás de um sorriso existe sempre uma dor e uma força capaz de preencher, mudar ou transformar a sua forma de ver o mundo, por isso quando diante do sol da manhã não existir mais surpresa, eis o momento justo de deixar os sonhos te guiar, pois viajar é conhecer e o conhecimento é a maior riqueza que podemos carregar.

São por essas e outras razões que desde então a minha segunda casa é o mar…o lugar onde eu consigo montar os milhares de pedacinhos do quebra-cabeça do mundo que vive em mim!

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16 comentários sobre “Viajar de graça e ainda ganhar pra isso….pode???

  1. Ganha-se bem?
    Quantas horas de trabalho por dia?
    Como são as acomodações para os empregados?
    Quais os idiomas mais requisitados?
    Se estão a trabalho, como tem tempo para passear?

    • Roberta quanto as suas perguntas, ganhar bem é muito relativo pois cada um tem os seus parâmetros. No meu caso a experiência foi e continua sendo muito proveitosa tanto financeira como profissionalmente. No meu cargo trabalhamos em média 8 horas por dia, moramos em uma cabine para 2 pessoas e o inglês é obrigatório. Quanto aos passeios, a minha função a bordo é justamente acompanhar os passageiros durante as excursões e tenho sempre tempo livre para visitar os lugares por onde passamos (por isso trabalho e diversão estão sempre juntos). È claro que nem todos os funcionários que trabalham a bordo tem a mesma rotina de trabalho, no entanto esta descrição corresponde tão somente à minha experiência.

  2. Gostaria de deixar claro que os comentários insensatos serão deletados e que a descrição da minha experiência não tem nenhum caráter de recrutamento ou qualquer tipo de seleção para trabalho a bordo de navios de cruzeiros. Para os desavisados que muitas vezes vem até o blog para deixar seu rastro de ignorância deixo minha resposta: aprendam a conjugar verbos antes de fazer um comentário de mal gosto e por favor tenham o bom senso de manter-se longe das minhas publicações. Obrigada

    • Thomas aqui no Brasil há várias agências de recrutamento que fazem as seleções para diversas companhias de cruzeiros como: Ceceth, Fatto Brazil, ISM, Seamanwork, entre outras.

  3. Oi hehehe … eu adorei ler a sua historia de cruzeiro e queria so deixar pra vc q tbm quero mtao poder entrar em um passei lah por uma pre selecao mais ainda falta um poukinho pra mim poder concluir meu sonho mais fico feliz por vc concluir o seu e gostar mto do q faz aki ainda escuto varias coisas de q cruzeiro se trabalha mtu nao vai ter tempo pra mim eh dificil eh cansativo se larga familia namorado se larga a vida pra trabalhar em cruzeiro hehehe mais o q sao 6 ou 9 meses em navio e 35 a 60 dias pra matar a saudade de casa hehehe … quero e espero poder trabalhar na area de fitness … mais estou esperando a minha oportunidade igual a sua .. e adorei saber q vc adorou o cruzeiro espero eu tbm poder estar adorando o q faco ou o q vo fazer em alto mar heheheh … bjao e parabens pelo sucesso …

    • Monah, pode ter certeza que para realizar os nossos sonhos é preciso abrir mão de certas coisas, mas o aprendizado neste tipo de trabalho vale muito a pena. Infelizmente muitas pessoas embarcam despreparadas sem saber falar muito bem o idioma e/ou as vezes com problemas familiares ou só pelo dinheiro e aí com certeza a vida a bordo torna-se muito mais difícil. Espero que seu sonho se realize em breve e quando estiver embarcada mande notícias da sua experiência.

  4. Claudia , tenho 56 anos fui com minha mulher em janeiro em uma viagem de 5 dias no zenith ,foi um sonho realizado,e conversei muito com varios tripulantes brasileiros que agora estão na europa,e respondendo a Roberta , os que trabalham de garçom, são os que mais ganham e guardam pq não saem do navio e trabalham até 13 horas.Vc esta realizando o sonho de muitos, inclusive o meu,desejo-lhe otimos passeios, gostei muito do que escreveu, continue nos contando, abraços.

  5. Olá! Tenho 23 anos, sou estudante de direito na PUC-Campinas e também não me conformo com a luz fluorescente e as filas de cartório que eu tive de pegar durante meu estágio. Estou planejando uma viajem pelo brasil que deverá durar um pouco mais de 4 meses. Passarei primeiro pelo interior, no curso do são francisco e depois rumarei ao sul pelo litoral até o uruguai. parece-me insensato, mas ainda sinto que é pouco. Gostaria muito de prosseguir minha empreitada por mar, contudo não sei como isso pode ser feito e quais os requisitos para a admissão em uma companhia de cruzeiros.
    Tenho inglês fluente e um espanhol bem instrumental aprendido em viagens pela america do sul gostaria de pedir seu conselho, sua dica. Sei que, por hora, meu impeto de sair de casa e viajar é muito maior que minha vontade de enlaçar todo dia uma gravata e folear processos velhos de um armario do Estado. Creio que isso não mudará em mim. Peço arbitrariamente, seu incentivo e mais de suas experiências.

    Atenciosamente, joão henrique.

    • Olá João Henrique, tenha certeza que esta sua atitude vai mudar completamente a sua vida e o modo de ver e encarar o mundo. Viajar abre as portas da nossa alma e nos faz grandes conhecedores dos caminhos humanos. Se o seu intuito é trabalhar a bordo entre em contato com uma agencia de recrutamento (ISM, CECETH, Port Said,…) basta procurar os contatos pelo google e enviar seu curriculo. Depois disso você terá que fazer o curso STCW (curso de segurança obrigatório para embarque) além de passaporte e exames médicos que serão solicitados caso você seja selecionado nas entrevistas. Boa sorte e carpe diem!!!

  6. Pingback: Um caso de amor pelo mar « VIAGENS PELO MUNDO

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