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As fazendas de cacau de Ilhéus

Era uma vez uma família feliz que vivia numa casinha branca a beira do Rio Almada, onde todos os dias era possível passar na igrejinha para agradecer as dádivas da colheita de um fruto precioso: o cacau.

Esta descrição bucólica parece ter saído de um livro de contos, mas na verdade descreve a realidade de uma fazenda de cacau em Ilhéus na Bahia, que esta aberta a visitação para o deleite dos turistas: a fazenda Provisão.

Antes de mais nada, vou iniciar este conto do principio: Desde os tempos mais remotos, nas terras baixas do Golfo do México, a civilização Olmeca, os Maias, Toltecas e Astecas utilizavam o cacau como um alimento dos deuses, utilizado para a fabricação de uma bebida em rituais religiosos e as sementes como moeda de troca e referencial de valor econômico.

O navegador Cristóvão Colombo, durante a sua quarta viagem ao Novo Mundo, teria levado algumas sementes daquela preciosidade para o rei espanhol Fernando II, as quais na época passaram despercebidas no meio das demais riquezas.

Bem na verdade, os espanhóis não gostaram do sabor amargo daquelas sementes e, somente por volta de 1519, Hernando Cortez redescobriu o cacau durante a conquista do México, levando as suas propriedades e as ferramentas necessárias para o preparo aos espanhóis que lá pelas tantas descobriram o real valor das sementes e passaram a cultivar a planta nas recém terras mexicanas conquistadas.

A palavra cacau “theobroma” que em grego significa alimento do deuses, é uma planta equatorial a tropical que se desenvolve melhor a sombra de árvores maiores, precisa de chuvas regulares, solo profundo e fértil; uma árvore delicada, sensível a extremos climáticos e muito vulnerável a pragas e fungos.

E foi justamente por suas características que o cacau adaptou-se perfeitamente ao clima da região de Ilhéus na Bahia e durante o período colonial tornou-se o símbolo do poder no Brasil, com os barões do cacau comandando a economia da colônia e exercendo forte influencia política no país.

Na época, a produção de cacau utilizava basicamente mão de obra escrava nas lavouras e, considerando que uma árvore adulta pode produzir até 50 anos, o produto foi considerado o “ouro negro” da região por vários anos, até que na década de 60 a “vassoura de bruxa”, uma doença fúngica, levou os produtores a desistir paulatinamente da cultura comercial.

Hoje, existem apenas algumas poucas fazendas de cacau que encontraram no turismo uma nova forma de contar a história e mostrar as belezas de suas plantações e os sabores deste fruto e seus derivados como: o chocolate, o suco de cacau, os licores, etc.

As fazendas localizam-se na costa do cacau e os visitantes são recepcionados por um guia local que explica o processo desde o plantio até a produção do delicioso chocolate. Ao ver um cacaueiro nem podemos imaginar que as flores pequenas que brotam dos galhos e no tronco levam de 5 a 7 anos para se transformarem em frutos maduros. Depois de maduros, cada fruto contém em média de 20 a 40 sementes envoltas em uma polpa macia de cor parda.

Quando colhido, o cacau é aberto, as sementes separadas, fermentadas em barcaças de madeira de 3 a 8 dias (período este cujo objetivo é livrar a semente da mucilagem e destruir o embrião para evitar que a semente germine), logo em seguida as sementes são secadas de forma natural, espalhando-as ao sol e mexendo-as regularmente para que a sementes fiquem arejadas e não formem bolor.

Todo este processo é feito manualmente e produz um cacau de qualidade, utilizado para a fabricação dos mais deliciosos chocolates, que no caso de Ilhéus podem ser saboreados nas diversas lojas de chocolates caseiros que oferecem opções que vão desde os chocolates 100% cacau aos licores com suas propriedades afrodisíacas e curativas.

Já a visita na fazenda nos leva ao passado e nos faz sentir a tranqüilidade do local, nos remete a várias histórias de coronéis, jagunços, amores e traições que são muito bem representados nas obras de Jorge Amado, o símbolo cultural da região de Ilhéus.

 
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Publicado por em janeiro 27, 2012 em Brasil

 

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Um sonho na Terra Santa!

Um certo dia a beira mar, apareceu diante de mim um panfleto de Israel e naquele momento, como que por milagre, um sopro divino me fez sonhar em conhecer a terra santa. Eis que desta forma, alguns meses mais tarde o sonho já era realidade e aquilo que antes parecia tão distante passou a estar ao alcance da minha visão.

A terra de Israel, conhecida em hebraico como Eretz Israel, é sagrada para o povo judeu desde os tempos bíblicos e a sua etimologia é sugerida na passagem do Genesis 32:28, na qual Jacó luta contra um anjo de Deus e o vence, após o que recebe de Deus o nome de Israel. O nome conteria, assim, o significado para a realização de um pacto entre Deus e Israel, mantendo a memória e identidade do povo através dos tempos, e definindo as regras de sua relação com o divino.

Israel é o único país no mundo onde a vida gira em torno do calendário hebraico e o dia oficial de descanso é o sábado, o shabat: e foi justamente num sábado de sol que a minha viagem começou na cidade de Haifa, com o Monte Carmelo, a esquerda, e a paisagem do Mar Mediterrâneo com algumas comunidades rurais, a direita, ao longo do percurso de 2 horas até chegar em Jerusalém.

Ha cerca de 90 quilômetros ao sul de Haifa encontra-se a moderna cidade de Tel Aviv com seus arranha-céus e apartamentos que chegam a custar alguns milhões de dólares, além de alguns dos principais centros de pesquisas e desenvolvimento tecnológico como a Microsoft, IBM, Cysco, etc.

Esta Tel Aviv moderna e pujante possui um clima descontraído e jovial que atrai milhares de turistas em busca de um lugar ao sol nas suas belíssimas faixas de areia.

Apesar da vontade de ficar por ali mesmo em Tel Aviv, o intuito principal desta viagem era conhecer Jerusalém, a cidade santa dos judeus, cristãos e muçulmanos e uma das mais antigas cidades do mundo que, apesar de ter somente 0,9 quilômetros quadrados, abriga simplesmente os mais importantes pontos religiosos da terra santa.

A cidade que já foi destruída, atacada, capturada, recapturada e ainda hoje é motivo de disputas entre grupos religiosos, surge no horizonte com sua paisagem monocromática e seu clima seco que evoca um sentimento de exultação do espírito e curiosidade. Jerusalém, que primeiramente foi chamada de “Orshalem” (Cidade da Paz) pelos cananeus ha 5000 anos atrás, teve seu nome modificado para “Yuroshalime” pelos judeus, logo por “Orshamam” pelos faraós, depois para “Herosulima” pelos gregos e romanos e finalmente para “Jerusalem” pelos francos.

A minha visita a cidade começou no alto da colina da Universidade de Jerusalém, um mirante caracterizado pela vista panorâmica da Cidade Velha murada e os quatros bairros que compõem esta parte da cidade: armênio, cristão, judeu e muçulmano, cada um com seu estilo e ambiente característicos.

Lá de cima a Cidade Velha apresenta-se rodeada pelas impressionantes muralhas (restauradas no século XVI) e as oito portas que permitem o acesso ao seu interior: a Porta Nova, a de Damasco, a de Herodes, a de São Estevão, a dos Magrebíes, a de Yaffa, a de Siom e a Porta Dourada, fechada desde o século XVI.

Após uma longa explicação histórica e cultural do guia que acompanhou o meu grupo nesta viagem, avistamos a cúpula da rocha, considerada um santuário e altar por Abraão, Jacó e outros profetas e lugar de partida da Al Miraaj (viagem aos céus realizada pelo profeta Maomé).

Logo em seguida, descemos de ônibus até a entrada da porta de Yaffa, onde começamos a visita pelo Muro das Lamentações ou Al Buraq: o Muro que rodeia a mesquita de Al Aqsa a oeste, é uma parte indivisível do santuário. Denominado Muro das Lamentações pelos judeus, que acreditam que o “Al Haykal” foi construído nesse mesmo lugar por Herodes no ano 18 a.C. e posteriormente destruído por Titus no ano 70 d.C. Este é o lugar mais sagrado para os judeus onde eles se lamentam e oram a Jehová.

Em relação aos cristãos, a Igreja da Ressurreição (Al Qeyameh) construída pela Rainha Eliana em 335 d.C. é o lugar onde acredita-se que Jesus passou antes de ser crucificado. A Igreja é considerada como o lugar mais venerado pelos cristãos. Os judeus estão buscando o Al Haykal, construído por Salomão, especialmente nessa área.

Depois de uma breve parada no Muro das Lamentações, prosseguimos o passeio pela Via Dolorosa, hoje um caminho repleto de lojas, restaurantes e becos. Neste ponto da visita, mais exatamente em frente a VII estação, tive a sensação de estar sendo pisoteada por uma multidão enfurecida. Eis que ao chegar no entroncamento de dois becos, uma multidão de pessoas ficou bloqueada sem poder se mover para lado algum; em meio aos choros de um grupo de crianças que voltava da escola, a falta de educação de alguns peregrinos que empurravam para tentar passar e os moradores locais e proprietários das lojas que tentavam organizar a “muvuca”, senti na pele a aflição e o nervosismo de andar pela Via Dolorosa.

Passado o susto e a agonia do ocorrido, continuamos nosso passeio até chegar ao Santo Sepulcro, considerado um dos locais prováveis da Gólgota, onde Jesus foi crucificado e ponto de peregrinação de cristãos de todo o mundo nos últimos dois mil anos.

Antes de sair da cidade murada, ainda tive um tempinho para comprar umas lembrancinhas para a família, incluindo pequenos frascos com água, terra e óleo da terra santa, além de experimentar um delicioso húmus, um prato típico feito com grão de bico e pasta de gergelim.

E como não podia deixar de ser, no fim do dia, depois de varias emoções e aventuras em terras santas, voltei a Haifa com a companhia da lua cheia e das estrelas divinas que iluminavam o caminho , com a certeza de que os sonhos são pequenos presentes de Deus.

 
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Publicado por em dezembro 18, 2011 em Israel

 

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Olympia: o berço dos Jogos Olímpicos

Uma bela manhã de sol, alguns pássaros cantando na janela e a tranqüilidade entrando pela porta, pois esta foi a sensação que tive ao visitar Katakolon, na Grécia. A primeira vista, esta cidade portuária não parece oferecer muito mais que duas ruazinhas de comércio e restaurantes, porém os pequenos frascos costumam conter os melhores perfumes, que neste caso chama-se Olympia, a famosa sede dos Jogos Olímpicos na antiguidade.

Em meio a tantas colunas, pedras, lápides e ruínas podemos encontrar a história de um período no qual as ilhas gregas enviavam seus representantes para competir nos famosos Jogos Helênicos em honra ao deus do Olimpo: Zeus.

Estes competidores nem sempre eram atletas, muitas vezes podiam ser simples trabalhadores que nos períodos dos jogos deslocavam-se a Olympia para representar sua ilha de residência. As competições eram realizadas exclusivamente entre homens e a entrada para a mulheres não era permitida, motivo este bem curioso pois os atletas competiam completamente nus.

O santuário onde os jogos aconteciam se chamava Altis e era composto por vários prédios, incluindo o temenos (lugar sacro) que era o templo de Hera e Zeus e o Pelopion, a área do altar onde os sacrifícios eram feitos. Devido ao aumento da importância dos jogos entre os gregos, com o passar do tempo foram construídos outros prédios incluindo a Palaestra (Século III a. C.), o Gymnasion (Século II a.C.) e as casas de banho que se uniram ao grande complexo de Olympia.

Durante o período romano, os jogos foram abertos ao cidadãos de todo o império romano, o que incluiu uma extensa reforma e a construção de um aqueduto.

Hoje, o complexo arqueológico de Olympia guarda as ruínas de um passado glorioso em cada pedaço de pedra. Em 2004, durante os Jogos Olímpicos de Atenas, realizou-se uma prova de corrida na pista que serviu de palco para os antigos gregos, um ato nobre de reconhecimento e conservação do espírito olímpico que nasceu em Olympia e depois de milhares de anos voltou para render graças ao seu berço natal.

Depois de visitar Olympia, uma passadinha pelo centrinho portuário de Katakolon me fez sentir verdadeiramente uma deusa do Olympo; uma vista do mar verdinho em frente ao restaurante, acompanhada de uma salada grega, um sol de outono, uma típica musica  grega (sirtaki) e para fechar com chave de ouro, deliciosos docinhos feitos com o mais puro e delicioso mel, pistache e outras gostosuras mais…

 
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Publicado por em novembro 16, 2011 em Grécia

 

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Presente, passado e futuro em Antalya

Continuando minhas aventuras pelos sete mares, acabei chegando na Riviera Turca, mais especificamente na cidade de Antalya (antiga Pampila), que hoje é um dos principais destinos turísticos da região Mediterrânea, principalmente para milhares de estrangeiros que vem em busca das suas praias para as férias ou simplesmente de um lugar ao sol para viver depois da aposentadoria.

 Antalya encontra-se na região da Anatólia e foi fundada no Séc. II a.C. pelo rei de Pergamon, Attalus II, que em sua própria homenagem nomeou a cidade de Attaleai. Com o passar dos anos, Antalya foi ocupada por diversas civilizações como os Romanos, os Bizantinos, os Seljuks até passar ao domínio Otomano no Séc XIII.

 A primeira vista de Antalya ja é suficiente para se ter uma ideia do porque muitos europeus e russos gastam suas economias para comprar uma moradia por aquelas bandas; a começar pela orla da praia com suas areias e seu mar convidativo a um banho de 23 graus em pleno outono europeu. Se não bastasse este atrativo, a cidade possui em suas redondezas muitas outras opções que vão desde os museus e sítios arqueológicos remanescentes desde a era paleolítica ao império Otomana, até os esportes de inverno a uma altitude de 1.750 a 1.900 metros nas colinas de Saklikent, localizada a apenas 50 quilômetros de Antalya.

Como o meu tempo na cidade era curto, as férias de verão já haviam terminado e os bazares de Istambul já haviam saciado minha sede por compras, elma txais (chás de maça) e kebabes, decidi então acompanhar uma excursão até Perge, um sitio arqueologico situado a cerca de 10 quilômetros da costa de Antalya e a 5 quilômetros do Rio Aksu.

 Povoada pelos hititas por volta do ano 1500 a.C., Perge foi a capital da província romana da Pafília e seus habitantes eram devotos da deusa Ártemis (deusa da caça e da vida selvagem). Hoje Perge é apenas mais um sitio arqueológico que abriga as ruínas de uma cidade majestosa onde ainda é possível visualizar a Ágora (centro da cidade), os banhos e canais romanos, o estádio, o teatro e a sua basílica, cujo papel foi muito importante no período de cristianização dos povos, sendo ali um ponto de passagem do apóstolo Paulo, Barnabé e João Marcos, em suas viagens missionárias pela Ásia.

Durante a visita a Perge, eu e meu grupo fomos acompanhados por um guia local chamado Kan que, como um bom professor de história, com toda sua paciência e conhecimento nos fez viajar no tempo e imaginar uma cidade que hoje repousa silenciosa em meio a natureza.

 Creio que apesar do pouco tempo que passei em Antalya, tive a feliz oportunidade de conhecer suas lindas praias, sua tranqüilidade, beleza e hospitalidade, e além disso viajar a milhares de anos no passado pelas galerias, pátios e na vida cotidiana das pessoas que deixaram seu legado eterno em Perge.

E como não podia deixar de ser, nosso guia Kan se despediu com um famoso poema de Nazim Hikmet (traduzido abaixo) que me deixou com aquele sentimento no coração que nós brasileiros costumamos chamar de “saudade”.

O mar mais bonito é aquele que ainda não navegamos,

O mais bonito dos nossos filhos é aquele que ainda não cresceu,

Os nossos dias mais bonitos ainda não vivemos,

Aquilo que eu gostaria de dizer de mais bonito ainda não disse…

 
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Publicado por em novembro 15, 2011 em Turquia

 

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Istambul: uma cidade entre dois continentes

Uma miscelânea de cores, sabores e cheiros em uma cidade cosmopolita e intrigante, dividida pelo Bósforo e o ponto onde o Oriente exótico e o Ocidente se separam apenas por uma ponte (com 38 quilômetros de extensão): esta é apenas uma mera descrição da esplendida Istambul.

A primeira vista a cidade já fascina pela suntuosidade dos seus principais atrativos turísticos como: a Mesquita Azul, o Grand Bazar, o PalácioTopkapi e a basílica Ayasofya, além da sensação incrível de aventura e mistério dos seus bazares medievais, suas ruínas romanas, seus banhos turcos e as ruas sempre movimentadas do bairro de Sultanahmet onde concentram-se a maioria dos turistas, atrativos, restaurantes e o pulsar da cidade.

O fascínio e a multiculturalidade de Istambul não é por acaso; ela já foi a capital dos Impérios Romano, Bizantino e Otomano e hoje exerce um fascínio no imaginário coletivo de milhares de pessoas e culturas.

Vou ser sincera em dizer que mesmo depois de deixar a cidade ainda sinto o perfume, os sons e a energia de Istambul cada vez que fecho os olhos e lembro dos momentos que passei ali.

Meu primeiro contato com os ares de Istambul foi através de um cruzeiro pelo Bósforo. O passeio é feito em um barco pequeno e inicia-se no centro histórico diretamente ao Mar de Mármara onde encontra-se a parte asiática da cidade. Ali é possível admirar os bairros de Uskudar e Kuzguncuk, com suas ruas e casas construídas em madeira.

Durante a navegação passamos pelo bairro de Ortakoy e pela Torre de Leandro, localizada na pequena ilha de Kiz Kulesi, além do Palácio de Beylerbeyi, a residência de verão dos sultões otomanos.

Neste clima de deixa a vida me levar no balanço do mar, experimentei o Elma Txai (chá de maçã) e um suco de romã que o insistente garçom não parava de oferecer e praticamente me obrigou a tomar mais de um (o que parecia ser uma cortesia na verdade tinha um fundo de especulação turística, pois o safado me cobrou 5 euros no final do passeio, mas sinceramente falando pra quem estava passeando de graça aquilo foi mais um presente de turco!).

No final do passeio, tive mais uma horinha livre para conhecer o bazar de especiarias, localizado bem em frente ao pier de onde partem os barcos. O bazar é simplesmente uma perdição aos sentidos; milhares de temperos, doces, frutas, comidas, decorações, souvenires e as mais variadas futilidades que podem levar qualquer ser humano a falência. E olha que eu ainda nem estou falando do famoso Grand Bazar que é muito maior que este.

Porém, antes de pensar em falar sobre esta aventura de compras vamos conhecer um pouquinho da história (bem mais interessante) dos atrativos desta cidade fascinante:

Ayasofia (Igreja de Santa Sofia): segundo o testamento deixado pelo imperador Justiniano, ela foi originalmente construída por Constantino, sendo considerada na época (por volta de 537 dC) a mais alta e com a maior cúpula. O que chama a atenção em Ayasofia é a sua grandiosidade, os seus mosaicos bizantinos e a sua transformação ao longo dos anos, pois ela já foi uma igreja, uma mesquita e hoje transformou-se em um museu.

Palácio Real: localizado ao lado de Ayasofya, logo na sua entrada à esquerda encontra-se o famoso harem do sultão onde ele mantinha suas cerca de 500 mulheres como amantes. A maioria delas eram escravas enclausuradas e treinadas pelos eunucos, homens negros castrados do norte da África, os únicos a ter acesso a elas.

Mesquita Azul ou Mesquita do Sultão Ahmet: construída em estilo clássico otomano entre os anos de 1609 e 1616, a mesquita azul recebe este nome devido a sinfonia dos seus maravilhosos azulejos e vitrais em tons de azul que formam lindos mosaicos.

No passado, os imperadores bizantinos construíram um grande palácio, onde hoje encontra-se a mesquita azul, porém em 1606 o sultão Ahmet quis construir uma mesquita maior que a Igreja de Santa Sofia e ai esta o resumo de sua obra que abriga na atualidade a tumba do seu fundador, o sultão Ahmet, uma escola islâmica (madras) e um hospício.

Palácio Topkapi: construído por Mehmet II, logo após a conquista de Constantinopla em 1453, este palácio foi a residência de sultões e atualmente abriga uma exposição de objetos de ouro, jóias, cerâmica, roupas e relíquias sagradas para os muçulmanos como: os pelos da barba e a marca do pé do profeta Maomé.

Estação do Expresso Oriente: esta estação, localizada nas proximidades do porto, foi por muitos anos o ponto de chegada do famoso trem Expresso Oriente que fazia a rota Paris-Istambul. Apesar de ainda estar em funcionamento, a estação não é mais o símbolo da aristocracia da época, porém em uma sala anexa possui um restaurante bem místico que oferece um show hipnótico com os dançarinos da religião Sufi, uma linha sefardita do islamismo, onde eles giram o corpo em torno de si mesmos por cerca de 20 minutos até entrar em transe e elevar seus espíritos a um nível superior.

Mesquita Ottomana Rüstem Pasha: foi projetada em 1561 pelo arquiteto Mimar Sinan para o Grand Vizir Damat Rustem Pasha com elementos decorativos lindíssimos na cor vermelha, dispostos de maneira sutil para formar desenhos florais e geométricos, característicos do período Iznik (1555/1620). Esta mesquita foi construída sobre um terraço alto cercada por vários bazares.

Cisterna Basílica: a maior de todas as numerosas cisternas do subsolo de Istambul, com cerca de 336 colunas de mármore onde é possível admirar o rosto de Medusa, localizado no lado norte – ocidental da cisterna, provavelmente ali colocado para propagar o poder do olhar da Gorgone.

Grand Bazar: certamente um lugar para perder os sentidos e deixar de ser mão de vaca. Não há quem resista as milhares de tentações e opções de compras neste bazar de dimensões gigantescas e labirínticas vias de acesso aos mais variados tipos de produtos, ofertas e marcas (a maioria falsas com um estilo bem verdadeiro). Porém, antes de empolgar-se com as compras, é bom lembrar que a regra aqui é a barganha e a pechincha, senão você acaba levando gato por lebre e o barato pode sair bem caro.

Sou sincera em dizer que não gosto nem um pouco de barganhas e quando o vendedor me diz um preço mais alto do que o produto realmente custa eu caio fora e se ele se arrepender depois vai ser tarde porque nem de graça eu vou levar o produto. Isso porque essa coisa de ficar pechinchando e tentando convencer que o preço não é justo e tal pode custar horas preciosas que podem ser usadas para conhecer lugares e coisas bem mais interessantes da cidade. Em todo caso há pessoas que adoram uma pechincha e são capazes de gastar horas até conseguir uma boa compra.

Hamam: esta seguramente é a visita que vale muito a pena, principalmente depois de vários dias percorrendo os labirínticos bazares de Istambul. Estou me referindo ao famoso banho turco onde os pobres mortais podem deitar em uma plataforma centenária de mármore e se deixar pisotear, massagear e relaxar com as técnicas surpreendentes dos massagistas que são capazes de fazer milagres com sua coluna, torcendo o seu corpo inteiro e andando pelas suas costas. Um dos banhos turcos mais famoso com cerca de 600 anos chama-se Cemberlitas e fica no antigo bazar da cidade.

Comida Típica: depois de conhecer uma nova cultura, nada melhor que experimentar o prato típico local e deliciar-se com o saboroso kebab turco, que consiste em fatias finas de carne assada no espeto, servida dentro do pão com cebola crua, molho chili e salada.

Depois de tantas descobertas, infelizmente tive que deixar a cidade e continuar meu roteiro, no entanto levo comigo um pouco da história e o fascínio desta cidade que é hoje uma mistura de passado e presente, modernidade e tradição. Porém a marinheira que vos escreve adverte: antes de pensar em conhecê-la esteja ciente que a beleza e o mistério de sua arquitetura, o colorido de seus bazares e a tradição do seu povo podem deixar marcas profundas na sua vida e até mudar o seu modo de ver o mundo. #ficaadica

 
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Publicado por em outubro 12, 2011 em Turquia

 

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Os bons ares de Yalta

Numa manhã tranquila de outuno, visitei a cidade histórica de Yalta, situada no Sul da Ucrânia na costa setentrional do Mar Negro.

A cidade, que no passado foi escolhida como residência de verão dos antigos czares russos, hoje é um centro de bem estar e cura para as enfermidades respiratórias devido às propriedades terapêuticas do ar que provem das centenas e milhares de árvores espalhadas pelas montanhas e parques em torno da cidade. Esta localidade cercada pelo mar e repleta de parques foi também palco da famosa Conferência de Yalta, ocorrida em fevereiro de 1945, quando os três senhores do Mundo – Roosevelt, Churchill e Stalin – decidiram a partilha do mundo entre os Três Grandes, nas vésperas da vitória final da Grande Aliança sobre as forças do Eixo.

Um passeio pelas ruas de Yalta pode trazer sensações diversas, como a calma e a tranquilidade de uma cidade encravada a beira de um penhasco à beira mar, assim como um pouco de pânico ao deparar-se com um idioma totalmente diferente com um certo ar inquisitor e amendrontador.

Digo isso porque, a grande maioria dos habitantes fala somente o idioma ucraniano e russo, que por sinal tem um alfabeto bem diferente do nosso e um tom bem ríspido, o que causa um certo espanto ao primeiro contato. Digo francamente que quando visito um país onde não conheço o idioma, aprendo sempre a dizer algumas palavras de cortesia para evitar ter uma sensação desagradável e confesso que, o idioma une as nações, pois uma simples palavra pode mudar o modo como uma pessoa é tratada em diversas ocasiões durante uma viagem.

No caso da Ucrânia aprendi que um simples “Spaziba” (obrigado) é mais que suficiente para uma recém chegada aproveitar o que a cidade tem de melhor.

Então vamos lá para as minhas dicas desta cidade…

Sentada em um café em estilo parisiense junto com meus amigos (um mexicano, uma francesa e uma uruguaia), confabulamos sobre o verdadeiro sentido de uma viagem como aquela e chegamos a conclusão que: nos tempos de escola toda a história contada nos livros nos parecia algo difícil de entender, porém naquele momento, ao ver com os próprios olhos, tudo parece ter mais sentido e a história passa a fazer parte da sua vida.

Isso tudo ocorre porque quando visitamos um país e uma nova cultura nos deparamos com realidades tão diversas que automaticamente nos damos conta de como a nossa pátria é bem mais que um simples pedaço de terra.  Ao comparar nossos costumes e nossas origens nos damos conta de que, existem muito mais semelhanças do que diferenças entre as nações e a única coisa que nos pertence verdadeiramente como cidadãos de um país são os nossos valores culturais, porque o resto se interliga e faz parte da história da humanidade.

Neste clima de descobrimento histórico conheci 2 lugares fascinantes em Yalta:

1. O ninho das andorinhas: um palácio medieval construído em cima de um penhasco com vista para o mar.

2. O Palácio Alessandro II em Massandra: um elegante edifício em estilo barroco que acolheu a família real russa dos Romanoff e que conta com uma suntuosa decoração, documentos e fotografias da época.

A sensação que tive ao entrar no palácio foi sensacional. Em meio a um bosque de pinheiros e um jardim repleto de rosas vermelhas, uma violinista nos recebeu no portão de entrada ao som do famoso Tango “por una cabeza”. Lá dentro do palácio, uma decoração de extremo bom gosto em estilo neoclássico e barroco com as fotos dos czares, czarinas e seus descendentes em trajes da época e uma incrível aparência de felicidade. Não era pra menos, tendo uma residência daquelas em um lugar tranquilo, respirando um ar puríssimo dá até pra entender porque este gatinho resolveu morar ali e passar seus longos dias descansando em uma poltrona, enquanto os milhares de turistas descobrem o passado histórico da família Romanoff.

3. Antes de me despedir de Yalta, um último respiro para oxigenar os pulmões, seguido de um almoço típico composto de uma deliciosa Borsch (uma sopa de beterraba, cenoura, batatas, carne, cheiro verde e uma colher de iogurte natural) e uma torta de cerejas com sorvete de nata para fechar o dia com chave de ouro e levar um pouquinho da história e do sabor desta cidade para toda a vida.

Spaziba Ucrânia!!!!

 
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Publicado por em outubro 8, 2011 em Sem categoria

 

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Southampton: pro dia nascer feliz!

Dai-me apenas 2 horas e 10 pounds e eu te direi o que fazer para ser feliz numa tarde de sol em Southampton na Inglaterra.

Pois bem, estava esta que vos escreve passando por Southampton, a cidade portuária conhecida por ter sido o ponto de partida do famoso navio Titanic em 1912, quando um forte dilema me abateu: o que fazer em apenas 2 horas e com apenas 10 pounds no bolso numa cidade que, apesar de sua importância econômica para o pais não possui nenhum atrativo significativo? Pois sem perder muito tempo comecei minha caminhada desde o porto em direção a região central da cidade onde encontram-se as principais lojas de departamentos, restaurantes e o Parque Mayflower, um prato cheio para sentir o ar fresco da cidade e entrar em contato com os habitantes locais que passeavam tranquilamente com seus filhos, cães e afins por entre os caminhos verdejantes e repletos de flores (as quais nesta época do ano ainda exalam seus perfumes).

Primeiro ponto a ser exposto: demora um pouco para se acostumar com a tal da direção inglesa, onde o motorista fica do lado esquerdo. Parece um tanto bizarro quando passa um carro e parece que o cachorro esta na direção ☺

Segundo ponto: aqui tudo parece muito mais barato do que realmente é, isso porque muitas coisas custam apenas centavos (aqui chamados de pences) e os eletrônicos não costumam ter mais que 3 dígitos antes dos centavos.

Terceiro ponto: eu nunca vi tantas crianças lindas com olhos tão azuis como nesta cidade, até parece que eles foram desenhados pelo pintor Renoir, que adorava os tons de azul.

Quarto ponto (s): os famosos cupcakes ingleses são mesmo de dar água na boca! As maquiagens inglesas são maravilhosas e custam baratinho! Comprar uma pen drive que custa 8 pounds e quando chegar no caixa descobrir que ela na realidade custa somente 5 e ainda poder gastar o resto com cupcakes e maquiagem não tem realmente preço!

Para as outras coisas existe sorte, fé e disciplina….e eis que depois de fazer minhas comprinhas e comer meu cupcake sentada em um banquinho do parque posso concluir que, 2 horas e 10 pounds são mais que suficientes para o meu dia ser feliz!!!!

 
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Publicado por em setembro 29, 2011 em Inglaterra

 

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O segredo da longevidade em Cagliari

Uma cidade bonita por natureza, com uma extensa costa marítima, praias de areias branquinhas e mar cristalino e repleta de monumentos históricos que retratam o passado dos vários povos que ali passaram e deixaram um pouco de sua identidade cultural: esta é Cagliari, a capital da ilha de Sardenha.

Favorecida pela sua posição geográfica, o Golfo de Cagliari foi o ponto de entrada para as civilizações Fenícia,Cartaginesa, Romana e Espanhola que deixaram suas marcas nos monumentos e no modo de vida dos cerca de duzentos mil habitantes da cidade.

Um dos atrativos de destaque de Cagliari são as muralhas ao redor da colina, construídas no período de dominação de Pisa. Na época, o complexo chamado “Castello” era o centro de escritórios públicos e local de moradia dos cidadãos vindos de Pisa. Ali encontram-se as duas torres medievais construídas em pedras brancas, a Torre de S. Pancrazio e a Torre do Elefante, ambas projetadas pelo arquiteto Sardo Giovanni Capula.

Por volta de 1324, a frota de navios do reino de Aragon atacou o Golfo de Palmas e dai então iniciou-se a dominação Ibérica na cidade de Cagliari. Deste período os habitantes da cidade conservam o costume de tirar aquele breve cochilo apos o almoço: a famosa siesta, além da indumentária típica folclórica que consiste em um manto vermelho bordado e decorado com laços prata que cobre a cabeça e os ombros (este remanescente do estilo de vestir das mulheres catalãs e ali chamado de tiazzola), um avental cobrindo a longa saia e um corpete de mangas longas. Já os homens usam indumentárias que representam seu estilo tradicional de vida, por exemplo os  s’arrigatteri (mendigos) usam um boné preto e longo ate os ombros, um lenço e uma veste em cima de uma camisa branca, jaqueta preta, saia curta e calcas na altura dos joelhos com botas. Os carradori (carroceiros) usam seus bonés vermelhos, jaqueta com botões prateados, enquanto os piscadori (pescadores) usam uma jaqueta azul, uma faixa na cintura, calças vermelhas e uma veste florida de seda.

A cidade ainda possui uma das únicas lagoas urbanas repletas de flamingos, estes, que até pouco tempo atrás passavam ali somente os meses de primavera e verão no período de migração, acabaram encontrando um habitat favorável para viver e tornaram-se patrimônios da Sardenha.

Agora, os animais que fazem o maior sucesso nestas bandas são as ovelhinhas que produzem a matéria prima do famoso queijo exportação peccorino (ovelha pequena) e fazem parte da culinária local como o sa cordula, um prato composto de intestino de ovelha com ervilhas ou servidos com outros tipos de carne. Outro prato típico da região  é o sanguinaccio, uma salsicha de sangue de porco preparada com uvas passas e açúcar, servida cozida ou assada, além das tradicionais pastas e peixes.

Antes de fazer cara feia para estas especialidades, lembre-se que tudo nesta vida é uma questão de cultura e gosto pessoal, por isso vale sempre a pena experimentar antes de sair por ai julgando o sabor das coisas. E falando em sabor, a região é produtora de um dos vinhos mais saudáveis e deliciosos da Itália, rico em polifenois e tanino, o Canonau é considerado um dos grandes responsáveis pela longevidade dos habitantes da Sardenha, os quais tem o hábito de tomar um copo do vinho no almoço e no jantar e chegam a viver mais de 100 anos .

Pra dizer bem a verdade, se eu tivesse 12 quilômetros de praias com areia branquinha,  mar cristalino com uma média anual de 25 graus, ruas repletas de jacarandás e bunganvilles, uma mesa farta de peccorino, prosciutto, pasta, sa cordula, sanguinaccio, gelato, canonau e uma humilde casinha em Cagliari, certamente não faltariam razões para querer viver muito mais de 100 anos.

E como viver significa também compartilhar momentos de alegria, na minha visita a Cagliari tive a oportunidade de participar de um casamento típico dentro das muralhas de Castello. Estava eu passeando pelo distrito murado quando percebi que a Catedral estava repleta de convidados e os noivos prestes a deixar o altar. Assim sendo, eu e grande maioria dos turistas que ali estavam no momento não perderam a chance de entrar na igreja e presenciar a cerimônia com direito a uma chuva de arroz nos noivos, a quebra de pratos na saída da igreja e um simbólico gesto de amor eterno dos pombinhos que deixaram voar aos céus diversos balões em forma de coração.  Deste episódio digo-lhes que a parte mais doce foram os caschettes ou dolce della sposa, docinhos feitos com uma massa branca e recheados com mel e nozes, os quais acabei provando e aprovando neste inesperado casamento sardo.

 
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Publicado por em setembro 25, 2011 em Italia

 

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Amsterdam: uma questão de espírito

Em meus planos de viagem sempre esteve a ideia de conhecer Amsterdam, afinal de contas esta cidade faz parte do roteiro de muitos guias de viagem e me parecia ser uma ótima opção para conhecer os tradicionais moinhos de vento e os campos de tulipas.Acontece que, por uma questão de trabalho, fui praticamente intimada a visitar esta cidade multifaces que eu definiria hoje como: um estado de espírito.

Meu primeiro encanto ao chegar em Amsterdam foram: os canais, os prédios com suas fachadas coloridas, as pequenas embarcações que servem também de moradia, o aspecto bonito das pessoas que circulam pelas ruas com suas bicicletas enfeitadas com flores e objetos pessoais, os moinhos de vento, o romantismo e o liberalismo que convivem ao mesmo tempo em uma profusão de sentimentos que fogem do entendimento de quem chega à cidade pela primeira vez.

Amsterdam foi construída abaixo do nível do mar e por isso é considerada a Veneza do Norte; ali as pessoas tem o hábito de usar no dia-a-dia os tradicionais klompen (tamancos de madeira) os quais, segundo eles, ajudam a prevenir as dores nas costas. Um modelito básico destes chega a custar de 30 a 40 euros e se você for ainda mais curioso e quiser saber como ele são feitos, basta visitar uma das fabricas nos arredores da cidade, onde é possível acompanhar o processo de transformação da madeira em charmosos e leves tamancos.

Os holandeses também são exímios produtores de queijo e a cada esquina da cidade é possível encontrar uma loja com degustação dos melhores sabores e especialidades da região. E eu como não sou de ferro, aproveitei para degustar todos os tipos de queijos possíveis que encontrei pelo caminho, sem contar os deliciosos chocolates.

E falando em caminho, a melhor maneira de conhecer a cidade é a pé ou alugando uma bicicleta, assim pode-se percorrer facilmente a Avenida Damrak, que fica próxima a estação central de trens, além das ruas comerciais Nieuwendijk, Kalverstraat, Leidse Straat e a praça Leidseplein. Ali na praça encontra-se o famoso Museu de cera de Madame Tussaud, onde personagens como: o Papa Joao Paulo II, Pavarotti, Lady Gaga, Ronaldinho Gaucho, presidente Obama, entre outros, fazem a alegria dos visitantes como eu que pude ficar bem perto (mesmo que de mentira) dos meus ídolos.

Outra grande atração da Holanda são as tulipas, uma marca registrada do pais que é responsável por mais da metade da produção mundial destas flores. A quantidade de tulipas é tanta que elas estão espalhadas por todos os cantos e suas mudas, em saquinhos, podem ser compradas em qualquer lojinha da cidade. Infelizmente nesta época do ano (Setembro), os campos de tulipas não estão floridos, por isso não pude vê-los e fotografá-los, no entanto esta pode ser uma grande desculpa para voltar em Amsterdam na primavera quando os campos estiverem repletos de flores coloridas.

Ao contrário do que parece, nem tudo são flores, queijos e moinhos em Amsterdam, pois a cidade tem um outro forte apelo turístico: a venda indiscriminada de drogas (com direito a certificado de procedência, catálogo de espécies de maconha e tudo mais), que podem ser compradas em lojas especificas, controladas pelo governo. Ou seja, não é de se estranhar ser abordada pelo vendedor de uma loja de souveniers que te oferece inofensivos “cogumelos” como se fosse algo bem comum na sua rotina diária (vou ser sincera que quando o vendedor me perguntou se eu estava em busca de cogumelos pensei automaticamente na casinha dos Smurfs, pois na vitrine da loja estavam expostos lindos cogumelos em gesso, certamente vindos do fantástico mundo dos pequenos homenzinhos azuis… ☺…).

Agora o que realmente não me pareceu nem um pouco comum foi passar pela rua “Red Light”, um local muito maluco, e diga-se de passagem muito procurado pelos turistas do sexo masculino, onde as garotas de programa expõem suas mercadorias (diga-se: corpo) nas vitrines. As tais garotas não gostam muito de serem fotografadas, também pudera, já basta exporem a figura em publico de graça, então fico devendo a foto do local.

Como não podia deixar de ser, nas proximidades da Red Light ha diversos becos e ruas repletas de sex shops, além de uma simpática “Condomerie” que vende camisinhas de diversos formatos, cores e sabores e da Red Shop, uma loja que comercializa roupas, acessórios e souveniers somente na cor vermelha.

Por ali pode-se encontrar pessoas dos tipos mais bizarros aos mais caretas, como um grupo de amigas vestindo lingerie e véu de noiva fazendo uma despedida de solteira dentro de um sex shop, ou um acampamento de jovens anti capitalistas em plena praça, enquanto um pai passeia tranquilamente pela rua com suas filhas dentro do carrinho acoplado na frente de sua bicicleta.

Excentricidades a parte, nada mal estar em um lugar assim tão cosmopolita e poder visitar museus, moinhos, campos de tulipas, degustar os mais saborosos queijos e chocolates, passear de bicicleta pelas ruas labirínticas entre os canais em meio a um turbilhão de pessoas, ideias, gostos e atitudes e acima de tudo sentir a tranquilidade e um estado de espírito próprio que so mesmo uma cidade como Amsterdam pode oferecer.

E no momento da partida desta cidade agradável e acolhedora, nada mais típico que despedir-se dela navegando pelas suas águas mansas e ainda receber um caloroso até breve dos moradores que vivem a beira do canal de Amsterdam.

 
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Publicado por em setembro 17, 2011 em Amsterdam

 

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!A vibrante La Coruña!

Uma cidade vibrante, com um passeio marítimo repleto de galerias e varandas de madeira e vidro, um estádio de futebol bastante famoso, um monumento emblemático, ruas repletas de cafés e tabernas que servem deliciosos pinchos, praias tranquilas, mar clarinho e hotéis a preço de banana. Esta poderia ser uma das inúmeras cidades turísticas espanholas, no entanto trata-se de La Coruña, localizada na região de Galícia, no noroeste da Espanha.

La Coruña, também conhecida como a Cidade de Cristal, pela característica das suas fachadas na Avenida da Mariña, possui o mais antigo farol em funcionamento do mundo, a Torre de Hércules, que remonta ao Século II e é um dos principais atrativos da cidade, além de um conjunto de museus dedicados a ciência e extensos passeios a beira mar.

Se não bastasse a oferta de praias, sol e água fresca, saiba que a cidade possui excelentes hotéis com vista para o mar com preços a partir de 25 euros e ainda uma infinidade de cafés e tabernas que servem os deliciosos pinchos (canapés com diversas opções de coberturas) acompanhados pelas tradicionais bebidas espanholas com preços a partir de 5 euros. Nada mal para quem quer aproveitar as férias, relaxar e ainda economizar.

E mais, hé cerca de duas horas de viagem de La Coruña encontra-se a cidade de Santiago de Compostela, ponto final para os peregrinos do mundo todo que realizam o árduo Caminho de Compostela em busca do auto conhecimento e harmonia espiritual. Um local onde é possível sentir e ouvir as experiências dos viajantes que a todo momento chegam de suas jornadas e estão dispostos a compartilhar suas experiências únicas com os demais turistas.

 
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Publicado por em setembro 15, 2011 em Espanha

 
 
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